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Teatro no Brasil
Teatro no Brasil
O teatro colonial, entre os séculos XVII e XIX, é influenciado por Portugal. Os jesuítas escrevem autos, encenados pelos indígenas, visando a catequese: o padre José de Anchieta (1534-1597) é o autor mais importante. Do teatro mineiro setecentista, preserva-se O Parnaso Obsequioso, de Cláudio Manuel da Costa (1729-1789). No Rio de Janeiro, na segunda metade do século XVIII, o Teatro do padre Ventura encena as “óperas” (comédias entremeadas de canções) de Antônio José da Silva (1705-1739), o Judeu. Em 1810, Dom João VI manda construir o Real Teatro de São João, atual Teatro João Caetano.
Durante o império surge o primeiro grande ator brasileiro, João Caetano (1808-1863), com a montagem de Antônio José ou O Poeta e a Inquisição (1838), de Gonçalves de Magalhães (1811-1882). O primeiro dramaturgo brasileiro importante é Martins Pena (1815-1848). Escritores ligados ao romantismo, como José de Alencar (1829-1877), escrevem para o teatro.
Na segunda metade do século XIX ganha força o realismo. A reação ao romantismo, já presente em Machado de Assis (1839-1908), afirma-se nas comédias de França Júnior, Artur de Azevedo (1838-1890) e (1855-1908), entre outros.
No início do século XX, os autores ligados ao simbolismo copiam modelos europeus, à exceção de João do Rio, pseudônimo de Paulo Barreto (1881-1921), Roberto Gomes (1882-1922) e Paulo Gonçalves (1887-1927). Um estilo nacionalista e regional manifesta-se nas peças de Cláudio de Sousa (1876-1954) e Gastão Tojeiro (1880-1965).
Após a Semana de Arte Moderna (1922), marco inicial do modernismo no Brasil, Álvaro Moreyra (1888-1964) cria o Teatro de Brinquedo: pela primeira vez uma peça, Adão, Eva e Outros Membros da Família (1927), tem como protagonistas dois marginais. A primeira companhia inteiramente nacional é a de Leopoldo Fróes (1882-1932), que procura fixar a dicção teatral brasileira, independente da portuguesa. Viriato Corrêa (1884-1967), Oduvaldo Vianna (1892-1973) e Armando Gonzaga (1889-1954) escrevem para Fróes. Dos anos 30 aos 50, companhias como a de Jayme Costa (1897-1967), Procópio Ferreira (1898-1979), Dulcina de Moraes (1911-1996) e Eva Todor-Luís Iglésias fazem sucesso no Brasil e em Portugal.
Modernização do teatro – Em 1948, o italiano Franco Zampari (1898-1966) funda o Teatro Brasileiro de Comédia (TBC) em São Paulo, que revela Nídia Lícia (1926-), Paulo Autran (1922-), Cacilda Becker (1921-1969), Sérgio Cardoso (1925-1972) e traz os diretores italianos Luciano Salce (1922-) e Adolfo Celli (1922-1986), com quem se formam Flávio Rangel (1934-1988) e Antunes Filho (1929-). Após a morte de Zampari, a crise econômica faz o TBC dividir-se em várias companhias. Entre os atores do Leste Europeu que na década de 40 refugiam-se no Brasil, estão o ucraniano Eugênio Kusnet (1898-1975), que introduz o método Stanislavski no Teatro Oficina, e Zbigniew Ziembinski (1908-1978). A montagem, por Ziembinski, de Vestido de Noiva, de Nelson Rodrigues (1912-1980), em 1943, transforma o papel do diretor de teatro no Brasil e a obra revoluciona a dramaturgia brasileira.
Escolas de teatro – Em 1938, Pascoal Carlos Magno (1906-1980) cria, no Rio de Janeiro, o Teatro do Estudante, que lança Sérgio Cardoso, primeira estrela do palco a tornar-se um popular ator de telenovelas. No fim da década de 40, o Serviço Nacional de Teatro patrocina a criação de grupos experimentais. A Raposa e as Uvas, de Guilherme de Figueiredo (1915-), é aclamada no exterior. Ganham destaque Pedro Bloch (1914) e o humorista Millôr Fernandes (1924-). Em 1948, Alfredo Mesquita (1907-1986) funda a Escola de Arte Dramática (EAD) em São Paulo, e Lúcia Benedetti (1914-) cria, no Rio de Janeiro, o teatro infantil feito por adultos. Na década de 50, sua seguidora, Maria Clara Machado (1921-), funda o Tablado, centro de formação de atores, ainda em atividade.
Preocupação social – As questões sociais passam a ser discutidas nas peças brasileiras na década de 50. Nelson Rodrigues desperta polêmica com peças consideradas escandalosas. Jorge Andrade (1922-1984) retrata as transformações da sociedade paulista. Fora do eixo Rio–São Paulo, Ariano Suassuna (1927-) inova o teatro regionalista. No final da década, a prioridade que o TBC dá a textos estrangeiros é rejeitada pela nova geração de atores e diretores, que prefere autores nacionais e vê o teatro como um meio para transformar a realidade brasileira. Em São Paulo, nos anos 60, o Teatro de Arena revela Augusto Boal (1931-), Gianfrancesco Guarnieri (1934-), Oduvaldo Vianna Filho (1936-1974). No Grupo Oficina, José Celso Martinez Corrêa (1937-) monta peças politizadas de Maksim Gorki (1868-1936), Bertolt Brecht (1898-1956), Max Frisch (1911-1991), redescobre O Rei da Vela (1934), de Oswald de Andrade (1890-1954), proibida pelo Estado Novo, e cria Roda Viva, do músico Chico Buarque de Holanda (1944-). Morte e Vida Severina, auto nordestino de Natal, de João Cabral de Melo Neto (1920-), é montado pelo Teatro da Universidade Católica de São Paulo (Tuca) e premiado no Festival Internacional de Teatro de Nancy, na França. No fim da década de 60, a dramaturgia realista é renovada por Plínio Marcos (1935-), Bráulio Pedroso (1931-1990) e Lauro César Muniz.
Na década de 70, a censura do regime militar obriga os autores a encontrarem uma linguagem que drible as proibições. À geração dessa fase pertencem Mário Prata (1946-), Fauzi Arap (1938-), Antônio Bivar (1939-), Leilah Assumpção (1943-), Consuelo de Castro (1946), entre outros. Montagens revolucionárias são feitas, em São Paulo, pelo argentino Victor García: Cemitério de Automóveis, de Fernando Arrabal, e O Balcão, de Jean Genet (1910-1986).
Novos grupos – No fim da década de 70 surgem irreverentes grupos de criação coletiva: o Asdrúbal Trouxe o Trombone, que revela a atriz Regina Casé (1954-), e o Pod Minoga. Mais sérias são as pesquisas do Pessoal do Vítor sobre o mundo caipira e as montagens inovadoras de Antunes Filho: Macunaíma , de Mário de Andrade (1893-1945), e Nelson Rodrigues, o Eterno Retorno. Luiz Alberto de Abreu, Flávio de Souza e Alcides Nogueira destacam-se entre os autores. O Ornitorrinco, de Cacá Rosset (1954-) e Luís Roberto Galizia, começa como grupo underground, mas depois obtém grandes sucessos comerciais, com Ubu, de Alfred Jarry, e peças de William Shakespeare (1564-1616) encenadas até nos EUA.
Entre os autores atuais destacam-se, em São Paulo, Otávio Frias Filho (1957-), Noemi Marinho e Marcos Caruso - Jandira Martini. No Rio de Janeiro, o besteirol, de Miguel Falabella (1956-) e Mauro Rasi, evolui do humor inconseqüente para textos mais críticos. As montagens de Gerald Thomas (1954-) despertam polêmica. Destacam-se ainda os cariocas Moacyr Góes e Enrique Díaz, e o paulista Ulysses Cruz. O mineiro Gabriel Villela (1959-) faz teatro de rua com o Grupo Galpão, de Belo Horizonte (Romeu e Julieta) e inova em A Vida é Sonho, de Calderón de la Barca (1600-1681), A Guerra Santa, de Dias Gomes , e A Falecida, de Nelson Rodrigues.
May 11, 2008 No Comments
Videoarte
Videoarte
Produção artística que utiliza monitores de vídeo para exibir imagens, às vezes associadas a textos. Surge nos anos 50 na Alemanha e ganha força internacionalmente nos anos 90, com a aproximação da arte à tecnologia e aos meios de comunicação de massa.
Existem dois tipos de videoarte. No primeiro, as imagens são assistidas em vídeo pelos espectadores. Podem ter caráter abstrato, como resultado da distorção de imagens eletrônicas ou mostrar seqüências que visam expor idéias e percepções da realidade. O segundo, hoje mais freqüente, utiliza monitores de vídeo como elementos de instalações (tipo de obra que constitui um ambiente artístico onde se misturam vários objetos). Nos monitores vêem-se imagens criadas pelos artistas ou extraídas de outros veículos. Em geral, o espectador pode interagir com a obra, aumentando o som, acelerando ou retrocedendo imagens. Se o monitor é de computador pode -se escolher o que ver acionando o teclado.
Os pioneiros da videoarte são o coreano Nam June Paik e o alemão Wolf Vostell, ligados ao grupo internacional Flexus. Na Alemanha, nos anos 60, realizam instalações, performances e happenings a partir da manipulação de imagens da televisão.
Em 1975, na 13ª Bienal Internacional de São Paulo, Paik apresenta a instalação TV Garden, composta por aparelhos de TV transmitindo imagens variadas, colocados no chão junto com flores. Destacam-se como videoartistas os norte-americanos Bill Viola (1951-), Bruce Nauman e Fred Forrest e o italiano Fabrizio Plessi. Na Bienal de 1994, em São Paulo, Plessi apresenta uma videoinstalação com monitores dispostos em círculo, exibindo a imagem de uma correnteza de rio. O espectador tem a sensação de estar diante de um “rio eletrônico”.
No Brasil, entre os pioneiros da videoarte destacam-se Anna Bella Geiger (1933-), Regina Silveira (1939-) e Gabriel Borba. Entre os artistas de segunda geração sobressaem Rafael França e Diana Domingues.
May 11, 2008 No Comments
Videoarte
Videoarte
Produção artística que utiliza monitores de vídeo para exibir imagens, às vezes associadas a textos. Surge nos anos 50 na Alemanha e ganha força internacionalmente nos anos 90, com a aproximação da arte à tecnologia e aos meios de comunicação de massa.
Existem dois tipos de videoarte. No primeiro, as imagens são assistidas em vídeo pelos espectadores. Podem ter caráter abstrato, como resultado da distorção de imagens eletrônicas ou mostrar seqüências que visam expor idéias e percepções da realidade. O segundo, hoje mais freqüente, utiliza monitores de vídeo como elementos de instalações (tipo de obra que constitui um ambiente artístico onde se misturam vários objetos). Nos monitores vêem-se imagens criadas pelos artistas ou extraídas de outros veículos. Em geral, o espectador pode interagir com a obra, aumentando o som, acelerando ou retrocedendo imagens. Se o monitor é de computador pode -se escolher o que ver acionando o teclado.
Os pioneiros da videoarte são o coreano Nam June Paik e o alemão Wolf Vostell, ligados ao grupo internacional Flexus. Na Alemanha, nos anos 60, realizam instalações, performances e happenings a partir da manipulação de imagens da televisão.
Em 1975, na 13ª Bienal Internacional de São Paulo, Paik apresenta a instalação TV Garden, composta por aparelhos de TV transmitindo imagens variadas, colocados no chão junto com flores. Destacam-se como videoartistas os norte-americanos Bill Viola (1951-), Bruce Nauman e Fred Forrest e o italiano Fabrizio Plessi. Na Bienal de 1994, em São Paulo, Plessi apresenta uma videoinstalação com monitores dispostos em círculo, exibindo a imagem de uma correnteza de rio. O espectador tem a sensação de estar diante de um “rio eletrônico”.
No Brasil, entre os pioneiros da videoarte destacam-se Anna Bella Geiger (1933-), Regina Silveira (1939-) e Gabriel Borba. Entre os artistas de segunda geração sobressaem Rafael França e Diana Domingues.
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