Novo Tratamento para Diabetes e Alzheimer

Novo medicamentos para o diabetes tipo 2 podem previnir o desenvolvimento de Alzheimer, quadro neurodegenerativo marcado pela perda de memória.

01/03/2009 12h39m. Atualizado em 20/10/2011 13h41m por:

 
 

diabetes-tratamento-novoConfira estudos para desenvolvimento de novos tratamento para Diabetes e Alzheimer. Medicamentos para o diabetes do tipo 2 previnem o desenvolvimento de Alzheimer, quadro neurodegenerativo marcado pela perda de memória. Por enquanto, isso só vale para neurônios (células nervosas) estudados em laboratório. Mas abre um empolgante e promissor caminho rumo à busca de novos tratamentos para essa doença, que aflige principalmente idosos. Testes em humanos já começaram.

Nos últimos cinco anos, evidências clínicas vêm mostrando que pacientes com Alzheimer têm neurônios mais resistentes à ação da insulina, hormônio que ajuda a ‘queimar’ açúcar e tem papel importante na memória. Some-se a isso outro fato: diabéticos do tipo 2, quadro mais comum em idosos e obesos e no qual há resistência à insulina, são mais propensos a desenvolver Alzheimer. Portanto, é possível pensar que o Alzheimer seria um tipo específico de diabetes que afetaria apenas os neurônios – o fato foi notícia desta seção em CH 243. Por sinal, há quem classifique o diabetes ligado ao Alzheimer, que afeta só o cérebro, como do tipo 3 (no tipo 1, as células do pâncreas são destruídas, impossibilitando a fabricação de insulina; com isso, o açúcar no sangue aumenta muito, o que danifica os tecidos).

Tratamento para Diabetes

Mas o que tornaria os neurônios resistentes à ação da insulina? Suspeita-se de substâncias tóxicas no cérebro, os oligômeros, cujo nível aumenta com a idade, provocando anomalias nos neurônios – inclusive a perda de proteínas (receptores) que captam a insulina, cruciais para a memória.

Esses novos resultados foram obtidos por pesquisadores brasileiros liderados por Fernanda de Felice e Sergio Ferreira, ambos do Instituto de Bioquímica Médica da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRj), em colaboração com a equipe de William Klein, da Universidade Northwestern (Estados Unidos). Participaram também Marcelo Vieira, Theresa Bonfim e Helena Decker. Como esses medicamentos já estão aprovados para comercialização, eles podem ser testados em humanos, antes mesmo que se conheçam seus mecanismos de ação no caso do tratamento do Alzheimer. De Felice ressalta, porém, que essas drogas deverão ser necessariamente adaptadas para agir somente no cérebro e não no resto do organismo.

tratamento-novo-alzheimer

Novo Tratamento para Diabeste e Alzheimer

Como anda os novos tratamentos?

De Felice e colaboradores mostraram que o contato dos oligômeros com os neurônios leva à perda dos receptores de insulina. Mas, ao se acrescentar insulina e rosiglitazona (medicamento que estimula a captação desse hormônio pela célula), o efeito acaba revertido, bloqueando completamente a ação deletéria dos oligômeros. O próximo passo da equipe é testar drogas semelhantes em camundongos modificados geneticamente para desenvolver Alzheimer, para ver se podem reverter os danos em etapas mais avançadas da doença.

PNA5, 02/02/08

 

 
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